"empuxo"
A pesquisa artística de Sanches é um desdobramento da linguagem além de suas margens previsíveis. A tipografia, aqui, não é apenas signo, mas vibração. Não apenas forma, mas pulsação. O código se dissolve na superfície e reaparece como matéria invisível, reverberando no olhar de quem atravessa.
Seus trabalhos são mais do que imagens: são passagens. A linearidade do tempo se desfaz, o amanhã se infiltra no agora. A arte se torna tecnologia de convocação.
Cada obra é um chamado. Não para a mera observação, mas para o trânsito. Para o deslocamento interno e externo. O espectador não apenas vê—ele percorre. Um espaço que é tátil, latente. O visível e o indizível se entrelaçam, instaurando realidades em suspensão.
Nas superfícies tipográficas de Sanches, a linguagem não repousa. Ela convoca, move, tenciona. Ela propõe um campo de forças onde as palavras são mapas, coordenadas para um devir. Entre códigos e texturas, a provocação: quais futuros estamos dispostos a inscrever? Quais gestos podem converter imaginação em matéria?
A obra, então, não é destino, mas impulso. Não é fim, mas trajetória. Um manifesto ativo que recusa a inércia e exige a travessia. Aqui, o futuro não é um lugar a ser alcançado. Ele se constrói no ato.


